
Não sei se um dia hei de entender pra que usar sapatos pontudos e maiores do que o pé, ou vestidos que te cortam a respiração, ou outras parafernálias de mesma espécie com esse ar blasé. Também acho que nunca me conformaria em repetir (e receitar) frases feitas para se descrever, em justificar as injustiças do mundo com a palavra “inveja”, muito menos em chamar de amor qualquer caso efêmero. Não dá, não dá, não dá... E digo isto sem nenhuma pretensão ingênua de auto-afirmação. O que quero dizer é que toda essa ‘falta de entendimento’ me remete à nostalgia daqueles que criticam essa pós-modernidade relembrando e fantasiando...
“I’m old fashioned", como diria o bom Coltrane. Posso não ter carga anual suficiente pra dizer que gostava de política em 1966 e dancei freneticamente os Dancin’Days, mas sinto que, n’outro tempo, tudo era mais real. Havia menos acessórios, photoshop e etiquetas... e não se podia mensurar o valor de alguém pelo que diz sua página no orkut. As paixões eram experiências viscerais onde havia sempre calor e corpo, ao invés de fotos e copo. O tempo passa e a gente se interioriza, se fecha, cria rédeas, rodeios e burocracias pra se aproximar de outra pessoa. E em contrapartida, se aperta todo (literalmente, em alguns casos) pra caber em fantasias pré-moldadas, baseadas em ícones da cultura pop.
Sou por mais emoção e menos réguas. Pois mais reação e menos rédeas. Por mais imaginação, por mais ação, por mais canções, por mais verdade e desordem. Que aprendamos a perceber a beleza no desequilíbrio e na confusão, parceiros íntimos de todas as emoções brandas. A mesma lua que ilumina os amantes ilumina as parcelas do aluguel... O mesmo sol que inspira ao nascer e ao morrer torra as preocupadas cabeças de sisudos homens de terno.
Diferentes cores e diferentes formas povoam o mundo. Mas o vital para encantar-se com tudo e de tudo tirar ventura não há um indivíduo que não possua: o coração. Ele nos lembra, ao acelerar ou ao se contrair, que parte da condição humana é sentir. E não falo de dor, porquê dor todo mundo entende. Falo de algo que transpassa as mazelas deste padrão de beleza contemporâneo, e que não respeita regras ou distâncias: o encanto. Encanto este que nos faz carregar estrelas nos olhos e que enfeitiça nossas relações interpessoais, fazendo com que centremos nossos olhos no outro, e nos fazendo pensar mais em beijos roubados, pequenos toques e olhares do que no aluguel. O encanto, senhoras e senhores, é o que nos mantém vivos. É o que assegura às utopias seu direito de invadir nossas esperanças. É o que nos faz falar de amor. Sempre, até de olhos vidrados, amor...
Na imagem, mais uma brincadeirinha no ArtRage. Pra quem não conseguiu visualizar, é um coração emergindo de um decote. Por algum motivo as pessoas não tem visto isso logo de cara xD Anyway... até a próxima, foi bom postar outra vez.
- Croocked Theeth - Death Cab For a Cutie ♪